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APRESENTAÇÃO

O V Congresso de Diversidade e Interculturalidade a ser realizado em junho deste ano será um evento muitíssimo especial, pois iremos juntos e presencialmente também celebrar com enorme alegria e orgulho os 30 anos da existência da UFF na região. Para nós, professores/as, estudantes e corpo técnico do IEAR-UFF e toda a comunidade local que tem sido nossa parceira em muitas ações, a relevância desta data envolve um grande acontecimento: somos a única universidade pública com cursos presenciais na Região da Baía da Ilha Grande do Estado do Rio de Janeiro. Uma instituição que intensa e progressivamente vem se tornando um lugar indispensável de formação em ensino superior que se compromete científica, educacional e culturalmente com o desenvolvimento sustentável, saudável e democrático na região. Falamos de uma instituição cuja história é atravessada por algumas transformações significativas em seu percurso. Originariamente, a UFF criou em 1992 o primeiro curso de graduação em Pedagogia em Angra dos Reis, fruto de uma parceria com a prefeitura do município através de sua Secretaria de Educação, em decorrência de ações de extensão e assessoria pedagógica da Faculdade de Educação da UFF em Niterói (FEUFF). Nos seus primeiros anos de existência, com um corpo docente oriundo da UFF-Niterói e em funcionamento nas instalações de uma escola municipal, tivemos um curso com um currículo muito singular, proveniente de uma concepção e prática novas de formação de professores, aliado à necessidade da formação continuada dos professores da rede de ensino e fruto dos debates feitos em suas associações representativas em nível local e nacional. Este currículo, que formou 17 turmas entre 1992 e 2009, denominava-se NEAP (Núcleo de Estudos e Atividades Pedagógicas), que teve influência em inúmeros cursos de Pedagogia em todo Brasil. Várias atividades culturais, de formação e cursos de extensão foram realizados, como por exemplo o curso de extensão “Negros e Negras em Movimento” e a Especialização “Diversidade Cultural e Interculturalidade: Matrizes Indígenas e Africanas na Educação Brasileira”. Muitos ex-alunos deste período da UFF são hoje diretores/as e professores/as da rede básica de ensino na região e são fartas as suas lembranças desse momento histórico da UFF na educação do município. Um segundo momento significativo de transformação se deu em 2009, quando foi criado o Instituto de Educação de Angra dos Reis – IEAR da UFF a partir do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), programa este que construiu mais unidades de ensino superior no país e ampliou a oferta de cursos e vagas nas universidades federais que já existiam. Com uma instalação cedida pela prefeitura no bairro de Jacuecanga para o funcionamento do Instituto e muitos recém-concursados que passaram a integrar o corpo docente do curso de Pedagogia, inaugura-se um outro momento. Comprometida com a educação pública e a formação em nível superior de qualidade, a UFF, através do IEAR, vivenciou mais uma transformação entre os anos de 2011 e 2012 quando criou dois novos cursos – o bacharelado em Políticas Públicas e a licenciatura em Geografia, ampliando assim o seu espectro de formação profissional. Foi nesse período que a universidade deu continuidade ao desenvolvimento de projetos variados de ensino, pesquisa e extensão, estabelecendo assim mais diálogos e parcerias com a comunidade local, assim como realizou o curso de pós-graduação lato sensu: “Alfabetização dos Estudantes das Classes Populares”. Temos testemunhado que a UFF na região vem se consolidando com grande resistência e cada vez mais como expressão fundamental de ensino superior público, gratuito e de qualidade, através de seus projetos de iniciação à docência, licenciatura, pesquisa e extensão e demais outras atividades de diálogo com comunidades do entorno, entre os quais, os indígenas guarani mbya, quilombolas, caiçaras e demais grupos e movimentos sociais locais. Entre iniciativas recentes deste esforço de diálogo da universidade com os territórios e saberes locais tem sido o curso de pós-graduação lato sensu em andamento “Teresa – Gestão de Territórios e Saberes”. Estudantes que integram o IEAR-UFF vêm se formando como licenciados em Pedagogia e Geografia e como bacharéis em Políticas Públicas, conquistando vagas em concursos públicos. Vários/as têm seguido a carreira de pesquisa, haja vista que fazem ou fizeram cursos de mestrado e doutorado em universidades públicas do Brasil e universidades europeias. Falamos de estudantes que vêm concluindo suas graduações numa entre tantas outras universidades públicas deste país que, em sua origem, foram pensadas apenas para as elites, mas que ao longo do tempo foram pouco a pouco se tornando não um espaço como outro qualquer, e sim pelo cultivo habitual do estudo, exercício do pensamento crítico e formação plena, um lugar de conhecimento extensivo a todos os cidadãos. Falamos da universidade pública que somente nas últimas décadas se tornou um lugar mais democrático e inclusivo, mediante as cotas para negros e indígenas e aberta às camadas sociais mais pobres do país. Porém, essa realidade se vê severamente comprometida, sofrendo com precarizações estruturais. Nos últimos anos, vimos testemunhando uma enorme regressão política em nível cultural e institucional no Brasil. São muitos e constantes os ataques do governo federal às escolas e universidades públicas deste país. Claramente comprometido com um projeto neoliberal de destruição do Brasil, vem, por meio de discursos e práticas protofascistas, defendendo a privatização da educação alinhado com os interesses de grandes organizações e conglomerados internacionais privados, estes apenas comprometidos com seus interesses econômicos e que, por meio de seus especialistas e financiamentos, vêm atuando em projetos educacionais e instituições privadas que disputam com as políticas públicas de educação no país. Esse sentido empresarial vem manifesto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e na recente reforma do ensino médio imposta por meio da Medida Provisória (MP) nº 746/2016 transformada na Lei nº 13.415/2017 que, com a justificativa de flexibilização de currículo e tantas outras razões, nega o direito dos jovens a uma formação básica comum, repercutindo assim na reafirmação das desigualdades e negação de direitos. Como se não bastasse, através da Resolução CNE/CP nº 2, de 20 de dezembro de 2019, são definidas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e instituída a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) que, em continuidade à implementação da BNCC, atenta contra a autonomia universitária e não respeita uma reserva enorme e significativa de saberes e conhecimentos produzidos nas escolas públicas e também provenientes de ações de ensino, pesquisa e extensão em formação de professores nas universidades públicas desse país. Assim, precisamos atentar para o presente não como algo que passa, mas que nos atravessa e, portanto, desloca o nosso olhar recuando urgentemente na história, para que não nos deixemos vencer pela apatia, medo e desvalorização de nossas conquistas, e sim para que projetemos possibilidades, realidades, novos mundos. Educação comprometida com a maioria da população no passado, no presente e no futuro. Celebremos mais do que nunca os 30 anos da UFF em Angra que, em contracorrente a toda destruição, é um exemplo de luta em defesa da educação pública, gratuita e com qualidade inquestionável. Ninguém vai nos parar!

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